15 minutos é só o que precisamos

15 minutos é só o que precisamos

15 minutos é só o que precisamos

 

Hoje dedico-me aos quinze minutos de aceitação e de foco no prazer que é possível desfrutar na companhia de família, crianças e amigos.

Falo de brincar em oposição a trabalhar. Falo de algo simples, amor. Sem nenhum segredo especial, é amor. Algo de que nos esquecemos à medida que vamos crescendo, o amor por cada minuto e por tudo o que fazemos. Muitas vezes esse amor é substituído pelo prazer no trabalho, pelas horas que investimos nesse ato. E quando nos descrevemos a alguém, dizemos o que fazemos, em que trabalhamos, falamos da qualidade imensa que o cérebro tem e no que conseguimos fazer em termos de transformação profissional, ou seja, transformar uma tarefa em algo que cria valor pessoal e profissional.

O trabalho, aquele que realmente adoramos fazer, é felicidade, é também ele uma forma de amor. Traz excitação e alegria, confiança e ignora as expectativas negativas, as responsabilidades e até, muitas vezes, a pressão. Passamos do brincar a algo, para o trabalhar e em adultos, muitas vezes já não gostamos, não nos desperta interesse brincar. Já não obtemos prazer no faz de conta, o prazer advém de trabalhar e aqui refiro-me também aos diferentes trabalhos diários – cozinhar, arrumar, enfim, cuidar.
Quantas vezes dizemos a uma criança que não podemos ir brincar por ter o jantar para fazer, as compras, o arrumar, o organizar, tarefas que por si até podem não dar prazer, mas que nos convencemos serem essenciais à vida. Serão?

E o brincar com os filhos, sobrinhos ou com quem nos apetecer. Os fins de semana com amigos a jogar jogos que nos fazem rir, divertir. Quando deixámos de o fazer, de viver a vida com o amor do divertimento, do prazer?

Estava ainda na faculdade, quando fui jogar ao elástico com crianças que o faziam numa praceta, e que feliz estava. Achei que ninguém me poderia ver ali escondida num recanto por onde ninguém passava, só as crianças se lembravam de povoar aquele território. Estava com uma saia rosa, com um saiote por baixo e a renda a ver-se, sim, usava saiote com aquela saia por achar que era divertido vestir uma indumentária do séc. passado. Acabei a brincadeira quando reparei que estava na hora de ir para a próxima aula – Handicaps físico sensoriais – e logo no início da aula, o professor fez uma menção àquela jovem que ele tinha visto brincar na rua com as crianças do bairro circundante e destacando que essa característica era essencial para se ser feliz e desfrutar do prazer que a relação com crianças nos pode dar. A sua disciplina, dada com mestria, foi uma aprendizagem para a importância do prazer no desempenho profissional. Não referiu o meu nome, felizmente, pensei, mas foi uma honra para mim e só para mim, a referência positiva que ele utilizou. Claro que olhou mais que uma vez para mim e senti-me grata por aquele momento. Acima de tudo o prazer que obtive com aquele momento fez-me cedo perceber que queria continuar a brincar, a jogar, até o prazer se manter.

Pense quando deixou de brincar e sinta se o seu trabalho substituiu o prazer que sentia quando brincava. Quando uma criança nos pede para brincarmos com ela, ao fim de 15 minutos a brincar consigo entusiasma-se com outra coisa qualquer e continua no seu mundo, o que significa que esses 15 minutos são híper valorizados e desfrutados. Esses 15 minutos dão-lhe confiança, prazer e desfruta cem por cento deles. Aproveite e esteja sem telefone, sem roupa para lavar, ou jantar para fazer, são quinze minutos….só! E fazem toda a diferença. Não falo só de brincar com as crianças, falo de alegria, descubra os seus 15 minutos, dê atenção plena a Si e ao que lhe dá prazer ao brincar, ao estar com amigos, ou simplesmente a fazer algo que acha sempre que não tem tempo para o fazer. O trabalho não funciona bem sem brincadeira, sem prazer. Quanto mais brincar mais liberta a sua mente, melhor trabalha e o oposto pode transformar-se numa doença. Num stress imaginário e que se sente na pele, que tem consequências graves se persistir o desprazer, a perda de divertimento no que se faz.