O prazer e as crenças
Bom dia. Quando acordamos e desejamos a alguém bom dia, estamos focados no prazer que sentimos em relação ao dia que se inicia, quer seja para nós quer seja para o outro.
O importante é perceber e sentir quais são os prazeres da vida diária. Ao longo das horas há diversos momentos de prazer, dos quais nem nos apercebemos por estarmos tão “conectados” com o que fazer e por assumirmos que aquele é só mais um momento, quando por vezes é o momento. Aquele que marca o dia e a vida.
Volto a falar de crenças, aquilo em que acredita transforma-se em realidade, na sua realidade. Se acredita que tem prazeres diários, desfrutar o aroma de um chá, um telefonema de um amigo, ver uma peça de arte, então o prazer acontece. No entanto, a inversa também acontece, se acreditar que os pequenos e grandes momentos de prazer que a vida lhe proporciona, não são o verdadeiro prazer, então andará sempre à espera do momento a seguir, do que segue e um dia, acaba.
O prazer é algo extremamente profundo e é influenciado pelas nossas crenças sobre algo escondido, não obrigatoriamente consciente e claro.
Se pensarmos num doce que gostamos, o prazer em o saborear depende do que achamos que estamos a comer. Se lhe disserem que os ovos que foram utilizados na confeção, estavam fora de prazo, garantidamente o prazer é afetado por um receio, mesmo que não seja verdade. Ou seja, depende criticamente do que pensa que está a comer.
A psicologia do prazer diz-nos que o que vemos é valorizado pelo que sentimos. Uma pessoa que amamos achamos que tem excelente ar, se for uma pessoa que nos desagrada, é difícil acharmos bonita, ou até sentirmos prazer em estar com ela, mesmo que seja a fazer algo que gostamos.
Se adquirir uns ténis que custam no mercado algo à volta dos cinquenta euros e prefere comprar uns que foram assinados por alguém que gosta muito, que admira, um ídolo youtuber, um ator ou atriz que muito valoriza, pode estar disposto a pagar muito mais pelo mesmo produto, têm mais valor pela sua história, ou antes, pelo que sentimos que são a mais valia da sua história.
O que é que lhe dá mais prazer na vida, quais são os momentos e as “coisas” que maior prazer lhe dão? Perceba a que emoções, sensações, os associa e verá que o prazer e o seu valor têm por detrás uma crença, algo em que acredita e que facilita o gerar prazer ou não.
Imagine que guardou uma roupa especial de um filho, um sobrinho, um neto, apenas pelo carinho e memória emocional que desperta. O valor dessa peça é incalculável, isso é prazer associado a algo, à sua história especial. Ou seja, o prazer está associado à história do objeto e a mesma coisa se passa em relação ao seu dia a dia, qual é a relação de um ato com a sua história. Se todos os dias cozinha, a probabilidade de não valorizar esse ato, de não obter prazer do mesmo, é elevada. Se, por outro lado, cozinhar todos os dias e nesse dia receber para jantar alguém especial para Si, um amigo, um familiar, o prazer que vai obter em relação à confeção dessa refeição é totalmente diferente.
Tudo do que falei até agora também se aplica em relação à dor, em oposição ao prazer, o desprazer. Também aí as crenças, aquilo em que acreditamos, afeta. Se quando algo lhe acontece gerado por outra pessoa, o grau de desprazer é superior se souber que foi causado de propósito.
Por outro lado, há “dores” que se podem transformar em prazer, por exemplo uma viagem numa montanha russa cheia de loops e descidas vertiginosas, ou uma comida extremamente picante.
O que é que lhe dá mais prazer na vida, quais são os momentos e as “coisas” que maior prazer lhe dão? Perceba a que emoções, sensações, os associa e verá que o prazer e o seu valor têm por detrás uma crença, algo em que acredita e que facilita o gerar prazer ou não.

