O Sim e a empatia…às vezes é demais

Sim empatia às vezes é demais

O Sim e a empatia… às vezes é demais

 

Agora que reiniciamos a nossa dança de letras, assinalamos o dia com Arte, a de comunicar.

Há várias artes, umas reconhecidas pela sua noção estética e outras, nem por isso. Passam despercebidas, a arte de saber comunicar, ou melhor, de saber escutar, é uma arte secular e por muitos esquecida. Um bom escutador, daqueles que foca a atenção no que o outro diz, é valorizado pela sua presença e pela sua capacidade de empatia.

Recordo Jean Paul Sartre, filósofo, que disse “Palavras são pistolas carregadas.” e é bem verdade, há palavras que depois de proferidas ferem de tal forma que a recuperação é muito lenta e dolorosa. Mas aqui e agora dedicamos esta dança não aos mais impulsivos e pró-ativos, mas sim àqueles que sabem escutar e que estão sempre disponíveis para uma bela escuta. Estes sim são aqueles para quem a frase de que temos dois olhos, duas orelhas e uma boca, significa que devemos observar e escutar mais do que falar, faz sentido. Fica, no entanto, o alerta de que estas simpáticas e amáveis pessoas, por vezes têm uma certa incapacidade de dizer “não” a algo, mesmo que isso implique um esforço sobre humano. Sim, é a essas pessoas que hoje se destinam estas palavras e começo por vos desafiar a que pensem e sintam como está o nível de consideração por vós próprios. Quando está em relação e contacto interpessoal, para onde vai a sua primeira focagem, para Si ou para o Outro? Se a resposta é focada no próprio, congratulo-o é um verdadeiro empático e dedica atenção a Si e ao Outro. Se a resposta vai para o segundo, alerta, sim, sim, sim…é demais! Muitas vezes significa que se coloca em segundo plano, que cuida do Outro para se cuidar a seguir. Lembre-se, a máscara de oxigénio tem sempre que ser colocada ao próprio em primeiro lugar, só depois a pode colocar nos Outros, ou então pode desmaiar pelo caminho e aí ninguém recebe oxigénio.

Pense nas vezes em que disse sim e queria dizer não, em que aceitou fazer coisas que lhe pediram e que não as queria fazer.
No entanto, se quer enfrentar um verdadeiro desafio comece por experimentar dizer sim a tudo o que o assusta, que lhe causa preocupação ou receio. Tudo aquilo que com apreensão lhe faz temer sair da zona de conforto, da suposta zona de segurança pessoal onde achamos e sentimos que tudo está bem e controlado.

Lance a questão a Si mesmo de se quer fazer algo que o assuste…quer? A sua resposta provavelmente é não, o que lhe proponho é que acrescente um “mas, sim!” e faça-o. Desafie-se a falar em público, a aceitar que a maturidade e experiência de vida lhe permitem adquirir competências que nem imagina. Se a sua prática passa pela escuta, perceba se escuta demais. Todas as pessoas gostam de ser escutadas, a questão é que há pessoas que não tiram um segundo para o escutar a Si e se o fazem, não valorizam o que disse, apenas o que elas próprias se ouviram dizer. Desafie-se a escutar a Si próprio e acabar com a escuta exagerada em relação ao outro, expresse-lhe o que sente, faça-o de forma assertiva e respeitando ambos pontos de vista. Pode ser algo do tipo: Verifico que lhe apetece falar desse tema, isso deixa-me…e expresse o que sente por habitualmente não ser escutado.

É incrível o poder da palavra sim, pode mudar vidas, a sua vida. Quando as pessoas que mais preza, que mais ama, lhe pedem para fazer algo, qual a sua resposta? Diz sim a ir brincar com filhos, sobrinhos, ou uma criança que lhe surja no caminho? Diz sim às pessoas com que partilha o seu caminho para uma ida ao cinema, um jantar fora, ou apenas a verem um programa de televisão? Se a sua resposta é afirmativa, congratulo-o. Se é mais ou menos, congratulo-o também por estar a tomar consciência desse facto. Então comece a mudança por Si, diga sim a si mesmo, depois, e só depois, diga sim aos que lhe estão próximo.
Imagino que o seu trabalho diário o obrigue a suor e por vezes lágrimas, a um esforço sobre humano quando dorme mal, ou está com um ligeiro mal-estar e mesmo assim tem de ir trabalhar. Falemos de adrenalina – a hormona que é libertada na corrente sanguínea, com a função de atuar sobre o sistema cardiovascular e manter o corpo em alerta para situações de emoções fortes, ou stress – quanta desta hormona sente a fluir no seu sangue durante o dia? Pois está na hora de tomar consciência da percentagem diária e perceber se a está a “usar” nos sins adequados e que geram bem-estar. Quantas vezes sente que está no seu limite? E depois, no dia seguinte, voltam os sins, os profissionais e os não profissionais e que por vezes são esquecidos de serem utilizados com os que mais próximo estão de Si.

Empatia e sim estão muitas vezes de mãos dadas, mas deixa de ser empatia quando se prejudica a Si próprio em prol do outro.
Hoje inicie o dia por dizer sim a Si mesmo o que tem de fazer em primeiro lugar para Si, diga sim a si próprio, às suas necessidades. Faça favores a Si mesmo e depois sim, diga sim ao Outro.