O som das palavras e o medo

O som das palavras e o medo

O som das palavras e o medo

 

Jacques Lacan, psicanalista disse “A linguagem é uma elucubração de saber sobre a língua”, ou seja, a linguagem implica uma grande reflexão de saber sobre a língua que usamos, sobre a comunicação e o seu impacto. E se falarmos de línguas, ouvimos por vezes expressões que nos dizem que determinada pessoa tem uma língua de víbora, geralmente relacionada com coscuvilhice, mal dizer, mas não é sobre essa que hoje falamos, é sim sobre a víbora que molda o nosso crescimento através das palavras que ouvimos, interpretamos e interiorizamos, aquelas que impactam sobre a forma do Ser e de Ser.

Numa breve viagem à sua infância pense e reflita sobre as palavras que recorda terem tido significado para Si, aquelas que o marcaram, seja da forma que forem. Essa foi a linguagem que interpretou e o foi moldando como se de uma única realidade se tratasse e como se ditassem que assim tinha de ser…este sou eu. Pelo que lhe dizem e pelo que interpreta, criou a sua personalidade e que afinal pode ser flexível, pode assentar em diversas palavras, em diversas interpretações que geram pensamentos, cada um de nós não é apenas os seus pensamentos, é muito mais. Cada um de nós tem um poder imenso e talvez a maior dificuldade, aquela que gera medo, a de acharmos que não sabemos estar sós, não sabemos estar só com os pensamentos, com as emoções.

As palavras que nos dizem ajudam a formar quem somos. No entanto, o mais poderoso são as palavras que dizemos a nós próprios, essas são verdadeiros moldes de artista escultor, pintor e até escritor, por acharmos que escrevem e descrevem a nossa vida.

Acreditamos que algo externo nos pode fazer sentir melhor, no entanto, não há vestido, fato, carro, bicicleta, ou até mesmo uma viagem, que possa construir o nosso bem-estar, se ele já tiver sido construído e existir, apenas achamos que está fora de nós, que é da responsabilidade de algo externo a nós. O poder do olhar interno é uma responsabilidade sua, minha e do Ser humano no geral, o que acontece é que o que aprendemos, o que adquirimos como aprendizagem, desde tenra idade é que as coisas, o que está fora de nós é que nos traz felicidade. É verdade que nos dá momentos de prazer, de suposta felicidade, mas é efémera, não vem para ficar e muitas vezes estabelecemos crenças negativas que moldam a nossa vida, o nosso caminho e despertam emoções de medo. A maioria das crenças negativas que temos, não são nossas, foram-nos dadas, mesmo que de forma involuntária, e acreditámos nelas, moldámo-nos com base nelas e. Hoje saiba, acredite, que se pode desfazer delas, pode aceitar que apenas representam uma opinião e que não tem que ser obrigatoriamente a sua.

Conscientemente enumere, escreva, quais são os seus grandes desejos na vida, esses são aquilo em que acredite, depois pense, de que tem medo? Quais são as barreiras, e obstáculos à sua concretização? Esses são as suas crenças, aquilo em que crê. Siga em frente pois quem tem medo da vida tem medo das emoções e relacione as suas crenças com a noção de se é uma crença limitadora ou, pelo contrário, é expansora. Se a opção é esta última, siga-a não desista, é esse o caminho da viagem ao Seu interior, é isso que é e que determina a sua essência.