De coração cheio

De coração cheio Humanemotion

De coração cheio

 

Saiu de casa sem nada prever, atravessou a estrada como sempre fazia e pensou, estou de coração cheio, os miúdos foram para a escola, o jantar adiantado e a roupa a lavar…

Há hábitos que nos dão a sensação de conforto, equilíbrio e alguma serenidade de viver. Hoje falamos de hábitos, como se adquirem e o porquê de os criarmos, mas antes, falemos de bem-estar e resiliência.

Há hábitos que nos dão a sensação de conforto, equilíbrio e alguma serenidade de viver. Que nos permitem sentir que a vida está controlada, que tudo temos sob controlo.

Comece por mudar o relógio de pulso, tome consciência do que sente quando o faz, e se com perseverança mantiver o relógio no outro pulso, vai ver que a sua capacidade de aceitar que uma situação que lhe desagradava vai acabar e passar a fazer parte das novas referências comportamentais, estranho vai ser voltar ao padrão anterior.

Recorde que o foco no bem-estar do dia a dia é que é importante para se manter positivo e enfrentar a vida.

Temos rotinas, comportamentos que são repetidos de forma regular e muitos deles, realizamos de forma automática. Para muitas pessoas, esses atos significam segurança, equilíbrio, bem-estar e para outros, são arrepiantes, necessitam de ser rompidos, nem que seja, “hoje não ponho a mesa”. Só esta sensação gerada pela oposição a um hábito, muitas vezes alberga uma sensação de bem-estar, mesmo que temporária.

Há quem considere que as rotinas são compostas por um “ciclo de hábito”, padrão psicológico que é um processo que se divide em três partes: uma sugestão, ou trigger (gatilho) como dizem em Inglês, um comportamento e uma recompensa. O primeiro momento, é assim como que uma mensagem enviada ao cérebro para que entre em modo automático e permita que um comportamento se desenvolva.

A rotina, segunda parte do ciclo, é o próprio comportamento em si – lavar os dentes todos os dias, colocar o champô sempre no mesmo sítio, estacionar o automóvel da mesma forma – até surgir a terceira parte, a recompensa, algo que o cérebro assimila com agrado e que facilita recordar, no futuro, esse padrão realizado.

Uma vez adquirido um hábito, pode continuar a desenvolvê-lo sem estar atento e muitas vezes entramos em modo de voo, realizamos ações de forma tão automática que parece que nem sabemos como as fizemos. O mais importante é perceber quais são as rotinas e comportamentos que lhe enchem o coração, aquelas que faz com carinho por que se está a cuidar, ou a cuidar dos outros.

Um primeiro passo pode ser tomar consciência da forma como cuida da sua higiene pessoal, como hidrata a pele, como escolhe o seu vestuário e como cuida de Si. Depois, questione quais são os hábitos que não lhe enchem o coração, os que faz com esforço e sinta se os quer, ou pode, alterar. Para isso, segundo o jornalista Charles Duhigg, autor do livro “O poder do hábito”, tem de entender e interromper o ciclo de hábito atrás descrito.

Se sente que há um hábito que quer alterar, esteja ciente de que exige esforço pessoal para o entender, para perceber quais são os benefícios que dele advêm e a forma como o pode substituir. Ou, por outro lado, perceba que benefícios pode perder e se os quer efetivamente deixar ir. Acima de tudo desfrute dos comportamentos habituais que lhe enchem o coração.