Quando tudo parece ter acabado

Quando tudo parece acabado

Quando tudo parece ter acabado

 

O que é o amor? Questionamo-nos, até por que muitas vezes dizemos que amamos algo e nem sempre pessoas. Amo correr, disse o Pedro e por isso o faz todos os dias, com uma consistência e cuidado que de facto tem de ser paixão.

Podemos amar um filme que vimos e que marcou um determinado momento da vida, podemos amar um sabor especial e podemos amar alguém. A diferença é que quando amamos algo, não há retorno desse amor, enquanto que, quando amamos uma pessoa, essa pessoa retorna o amor, o carinho, a cumplicidade. Quando se trata de amor entre pessoas, há uma valorização mútua.

No que toca ao amor, também falamos de desejo, quer por algo, quer por alguém.

Desejamos correr todos os dias, esse desejo é unilateral, enquanto que, quando desejamos alguém ele é mútuo, quando há amor e carinho o desejo também o é. Eu desejo ser desejado e desejo amar e ser amado.

Na situação do amor por alguém surge, ao longo da relação, a questão de como manter o ser desejado e o desejar.

A partir do séc. XIII os direitos do indivíduo foram-se desenvolvendo, assim como a democratização política, a era digital, ou seja, o desenvolvimento tecnológico. Por outro lado, um outro fator foi a liberalização do comércio e aqui refiro-me mais ao ocidente, fizeram com que o pilar da sociedade tradicional se alterasse. Os indivíduos no séc. XXI podem valorizar ou desvalorizar de forma livre as suas escolhas e relações.

O Ser humano questiona-se frequentemente sobre o seu valor como pessoa, como indivíduo, na relação com o(s) outro(s) e o mesmo acontece na inversa, ou seja, que valor determinada pessoa tem para mim? Vejo vantagens em estar com essa pessoa, que valor aporto para a relação e que valor é trazido pelo outro de forma a que valha a pena continuar a alimentar a relação.
Em algumas ocasiões fantasiamos que se tivéssemos uma casa maior, um automóvel mais bonito, um corpo mais delineado, menos X anos, tudo estaria bem. São fantasias, puras fantasias, o desejo que se sente no início de uma relação e o amor, são bastante distintos do que se sente passados alguns anos e de facto o alimento diário do desejo, a cumplicidade crescente e encontrada durante o relacionamento permitem a valorização de outros temas, de outras “paixões”, de outros carinhos. A união que assenta na base da conversa da honestidade própria – Eu sinto que… é a que tem maior probabilidade de crescer, o caminhar juntos só é possível quando as pessoas que pertencem a esse relacionamento se adaptam a uma filosofia de partilha de emoções e até de silêncios cúmplices.

Desafio-o a pensar o que parece estar a acabar e não quer que isso aconteça, se se trata da relação com algo, é mais fácil de reativar, uma vez que é unívoca. No entanto, se se trata da relação com alguém, o processo e a aproximação deve ser biunívoca, use uma comunicação positiva e afetiva.

Quando tudo parece ter acabado, olhamos o que ainda temos e decidimos, luto ou desisto?