O que é a amizade?
Vinícius de Morais dizia “Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.”, reforçava ainda que a amizade contém em si um sentimento mais nobre que o amor. Este último, dizia o poeta e cantor, tem de forma intrínseca, o ciúme que não permite a rivalidade que é aceite entre amigos.
Vinícius chegou a dizer que enlouqueceria se todos os seus amigos morressem, que poder é este que a amizade transporta em si?
Por que nos ligamos a determinada pessoa com um carinho extremo e que percebemos ser infindável. Aliás, com o amadurecer da idade, intensifica-se e valoriza-se em cada minuto, por vezes só pelo ouvir da voz, da presença fugaz de um café, de um chá.
A criança que brinca na praia e aparece um miúdo que se aproxima a ver o que esta está a fazer, passados dois ou três minutos de brincadeira cúmplice, já é intitulado de amigo e assim será durante todo o tempo que estiverem juntos.
Ao longo do nosso crescimento e desenvolvimento emocional, vamos percebendo que a amizade é muito mais do que brincar com baldes, imaginar castelos, principados ou jogar à apanhada. A amizade implica carinho, querer cuidar, mesmo que a distância nos separe, sabemos que a verdadeira amizade resiste a oceanos, a quilómetros de terra, a intempéries…mesmo na morte, o amigo não desaparece, apenas se senta na cadeira que há no coração e que é destinada às pessoas especiais. Incrível é que não há uma só cadeira, elas chegam na proporção das partidas e apesar do coração não dilatar, cabem em si todos os amigos da Terra, aqueles e que são poucos, que cresceram connosco e dentro de nós.
Amizade significa uma relação de afeto mútuo, entre pessoas e alerto porque também o há entre animais e entre animais racionais e os ditos irracionais. Essa relação é uma forma intensa de ligação, de associação, estudada por várias ciências, tais como: a filosofia, a sociologia, a psicologia, antropologia e até mesmo pelas áreas da comunicação. Por vezes basta um olhar entre amigos para se desatarem a rir, para haver cumplicidade e sensação de entendimento mútuo, de compreensão do que mais ninguém entende. Só aqueles dois seres que se ligaram e ligam por emoções de elevado carinho, conseguem perceber o que se passa e é assim como se de uma “química” se tratasse.
A amizade é talvez das matérias mais difíceis de explicar, é algo que não se aprende na escola, é algo que o Saber não explica, apenas se sente e de que maneira!
Relações de amizade regem-se por padrões e normas implícitas, que não necessitam de ser debatidas ou escritas, são códigos de ética em que cada uma das partes sabe que a outra vai cumprir e se falhar, mesmo que isso aconteça, na maioria das vezes, a amizade contém em si o dom do perdão e de encontrar explicação para tal facto.
É bom ter amigos, é bom dizer a um amigo que agora não me apetece ver-te, mas apenas por querer estar só, com os meus pensamentos, nem por um minuto esse ato implica questionar a amizade, a ligação que foi estabelecida.
É verdade que os meios digitais aproximaram pessoas que até eram amigos na infância e que nestes reencontros percebem que afinal eram amigos de brincadeira, de imaginação do faz de conta. Mas outros há em que o digital permitiu descobertas novas, aproximações afetivas e valorização dos laços estabelecidos no passado.
Quem é ou são os seus verdadeiros amigos, onde estão? Escreva-lhes e partilhe o que sente por eles, faça-o por escrito, por telefone, ou simplesmente através de um abraço apertado e sem nada dizer, sinta-o!

