Partimos?

Partimos

Partimos?

 

Quantas vezes dizemos a nós próprios que o que nos apetece fazer é partir para parte incerta. Aquela parte onde acreditamos que tudo vai ser fantástico, que é lá que está a felicidade. Calçar uns chinelos, viver na praia. Uma amiga dizia-me outro dia que o que lhe apetecia era partir para uma praia, servir sanduiches, bebidas e ganhar o dinheiro que lhe permitisse viver cada dia. Perguntei – O que te impede? E ao mesmo tempo coloquei a questão a mim própria – Eu, pensei, partiria e faria tererés na praia, vivendo da mesma forma. Ao fim de meia hora de uma viagem pelo que faríamos com o dinheiro que ganhávamos com frescas sanduiches e tererés, em cabelos de turistas que gostavam de entrar no seu País com uma marca diferente, que mostrasse talvez alguma rebeldia, ou apenas uma forma de contrariar o status quo, ou, simplesmente, de fazerem algo que há muito queriam e ainda não tinham tido oportunidade, decidimos transformar o tema em algo mais sério.

O que gostavas de fazer em alternativa a esta vida de oito a nove horas de trabalho por dia, sair cansada e chegar a casa com a força para confecionar um jantar leve e pouco mais?

Questão pertinente ou impertinente esta que nos surgiu no meio de uma conversa, ao por do sol, a caminhar pela praia, por entre gotículas de humidade que assinalavam a chegada do verão, que nesse ano custava em aparecer. De repente, tudo tinha uma forma, o momento. Sim, o momento! O que sentíamos naquele momento, aquela paz ao som ritmado das vagas do Atlântico, era a solução para qualquer sonho ou desejo. Como quero viver o momento? Decidimos, como se de um projeto de vida se tratasse, que as primeiras sensações de cada dia que se seguia, eram o momento acompanhado das duas perguntas que detêm em si a fórmula de probabilidade de sucesso – como me sinto? De um (pouco) a cinco (muito), como está o amor por mim própria.

Algo que esta época nos trouxe é que afinal conseguimos viver com menos e conseguimos ser felizes em momentos diversos, desde que os desfrutemos, que não os deixemos escapar entre os dedos, como a areia da praia em que caminhávamos. Questione o que quer agarrar agora, o que quer recordar dos três últimos meses que viveu e que forças encontrou para enfrentar cada dia sem saber como ia ser, que noticias ia ouvir, se mudava a sua indumentária e teria que acrescentar uma máscara para poder socializar?

Partimos? Sim, a resposta é sim, partamos para onde nos apetecer por a liberdade de pensamento e de imaginar serem aquelas que o homem não perde, mesmo que esteja prisioneiro num cárcere ou numa casa, confinado a um espaço em que ambos são a melhor forma de viajar e sonhar. O que o impede de sonhar? Sonhe primeiro e concretize depois. Qual é a sua essência, serenidade no dia a dia ou agitação permanente?

Desafio-o a que pense diariamente nas questões de como se sente e que quantidade tem de amor por si próprio hoje e use o momento como a base do seu dia, da sua alegria.