Carta aberta a Ti, criança
À criança que existe em todo o Ser Humano, falamos de direitos independentemente de raça, cor, religião, origem social, país de origem e dizemos-vos que têm direito a afeto, amor e compreensão, alimentação adequada, cuidados médicos, educação gratuita, enfim, proteção contra todas as formas de exploração e permitir que cresçam num clima de paz e fraternidade. A Ti adulto que cuidas das Tuas crianças, quando e aonde é que “isto” fica pelo caminho?
Dia 1 de junho festejamos em Portugal o dia em que foram aprovados, pela Organização das Nações Unidas (ONU), os Direitos da Criança. A vontade e o carinho com que todos os membros se mobilizaram é meritório, no entanto, todas as crianças do mundo, mesmo as que existem em nós, estão longe de estarem protegidas por estes direitos. Tudo tem de começar em cada um de nós, não no adulto, mas sim no Ser Humano, grito, no Ser Humano e o que significa Ser Humano?
Cuidar, respeitar, preservar, acarinhar e por aqui poderia continuar, pois há imensas crianças e reforço, mesmo as que nos habitam, que têm isto apenas em imaginação.
Christopher Moore, escritor, diz que as crianças veem magia porque a procuram e quando é que deixámos de a procurar, quando é que a magia é substituída por silêncios, silêncios que doem, magoam, que evitam, ou não, confrontos.
Recordo-me da história de dois irmãos que viveram a guerra e, sem casa, sem pais, brincavam. A quê? Ninguém percebia, era o mundo mágico, aquele em que tudo estava bem, aquele em que os pais, apesar de mortos, estavam lá!
Desafio-o a pensar na criança que há em Si, cuide dela, ame-a, faça algo especial hoje e se possível todos os dias. Às crianças que o rodeiam, abrace, mesmo que à distância, garanta que ela explora a sua imaginação e garanta, reafirme que tudo está bem.
Hoje, as crianças vivem numa ocupação constante e aprendem a imaginar com a estimulação do Fazer, deixe-a Ser, simplesmente isso, Ser. Dê um passeio com ela sem um objetivo certo, só por caminhar, olhar, admirar e aceitar tudo que a rodeia.
Margarida dizia, ohhh um Melro a apanhar uma minhoca…nunca tinha visto nada assim. E este Melro apenas fez o que faz todos os dias, procurar comida para alimentar os filhos que habitam num ninho mesmo ali ao lado e que nunca tinha sido visto. O espanto, o carinho desta ave, já descrito pelo zoólogo sueco Carolus Linnaeus em 1758, revelou-se uma inovação do séc. XXI para a Margarida, continua assim criança, o mundo é feito de magia. Nesse dia o tema na família foram os Melros, um Ser que só É.
Penso na saudade que as crianças, hoje acompanhadas pelos Seus adultos, vão sentir desta presença, com um temor latente, o da pandemia, mas com a presença securizante desses grandes seres da sua vida.
Recorde as figuras que para Si foram mais importantes? Quem é que mais o estimulou a imaginar, a recriar o Seu mundo?
Desfrute e aqui me despeço de Ti, criança pequena, criança grande.

